Ilustre desconhecido – Ponta do Sol

Jardim - Maria José e Feliciano Freitas

Jardinagem “a quanto obrigas”

“Numa perspectiva de juntar o útil ao agradável, o jovem casal Maria José e Feliciano Freitas, residentes no Lombo de Santiago, na freguesia dos Canhas, município de Ponta do Sol, dedica grande parte do tempo disponível à jardinagem. Além do gosto natural pelas plantas e flores, o (muito) tempo dedicado às tarefas da jardinagem que embeleza os arredores da residência, é encarada também como uma boa forma de aliviar o stress da actividade profissional de ambos. O Ilustre Desconhecido desta semana é em dose ‘dupla’. Ela é escriturária. Ele Polícia Florestal.

Maria José, que para os amigos é mais conhecida por Marisa, diz gostar da jardinagem também “porque é um anti-stressante”. Por isso não dispensa dedicar semanalmente algumas horas a cuidar das plantas. “Todas as semanas passo algum tempo no jardim. Então ao sábado, normalmente passo pelo menos umas quatro horas”, realça. O marido, embora já nutrisse o gosto pelas plantas, reconhece que a sua profissão “também muito contribui para”apurar essa sensibilidade. “Também tem a ver um pouco com a minha profissão” uma vez que a sua formação de ‘polícia da Natureza’ tem na génese a preservação do Meio Ambiente, que acaba por ser “uma importante ajuda”, reconhece.

De resto, a sintonia ‘jardineira’ do casal Freitas muito contribui para o atraente jardim que serve de ‘tapete’ a parte frontal da moradia, quase ‘debruçada’ sobre o vasto mar de se perder de vista. Feliciano admite que nem sempre o consenso é fácil quanto à disposição das novas plantas. “Às vezes há um barulhinho quanto ao local preferido para colocarmos as plantas. Um dá uma opinião, outro dá outra, mas quando é assim quase sempre fica ao meio e está resolvido o impasse”, graceja.

VENCEDOR DO ‘PONTA DO SOL EM FL0Rf No ano passado este jardim foi eleito o melhor no âmbito do concurso “Ponta do Sol em flor’. “Não era pelo prémio em si, mas pelo reconhecimento, que é sempre importante”, reconhece Marisa. Já havia participado nos dois anos anteriores, tendo ficado no último lugar do pódio. “No ano passado tivemos o privilégio de ficar em primeiro, o que é sempre bom”, reitera. Admite voltar a concorrer “mas primeiro quero fazer alguma coisa de diferente, porque também é importante inovar”, assegura.

Feliciano ‘levanta a ponta do véu’. “Talvez criar um pequeno lago, se calhar com uma pequena queda de água. Enfim, são ideias que vamos estudar e procurar chegar a um consenso”, remeteu. Já a esposa complementa: “Fazer jardinagem é bonito, mas dá muito trabalho. Isto acaba por não ser só um passatempo, porque existem funções específicas que têm de ser realizadas regularmente e com dedicação, que absorvem muitas horas e dão muito trabalho”. Diz mesmo que “é preciso gostar, senão não vale a pena”, além dos “custos elevados”. Mas como já diz o ditado, ‘quem corre por gosto não cansa. Por isso não hesita em assegurar que toda esta dedicação “tem a parte boa” principalmente “ver as flores a se desenvolverem e a desabrocharem. Acompanhar a evolução das plantas é fantástico”, regista o casal.

Com “um pouco de tudo” no jardim, desde plantas endémicas, “como o gerânio e o maçaroco”, às plantas exóticas, caso das cicas, onde possuem “uma variedade de sete espécies diferentes”, ela não esconde a preferência por estas últimas diz Marisa referindo-se às cicas. Já ele elege o endémico gerânio “uma planta com um contraste de cor muito giro. Os tons de roxo da flor com o verde das folhas agradam-me particularmente. Então quando está em floração é um espectáculo”, sustenta.

Com dois filhos ainda crianças tentam incutir-lhes o gosto pela jardinagem. “Procuramos lambem que eles façam algumas tarefas” como forma despertar para “algum conhecimento sobre as plantas”.

A finalizar Feliciano destaca o facto do ‘seu’ jardim não ter plantas grandes. “Para mim é o que me dá mais gozo, ter as plantas pequenas e vê-las crescer. É sinal que estamos a tratar bem delas. Isto é quase como ter um filho”, concluiu”.
Texto: Orlando Drumon. – In Revista do Diário de Notícias. – 18 de Abril de 2010. – p.19.
Um bem haja!!!!!

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