Jornal da Madeira permite reencontro de familiares no Uruguai

25_02_2008a.jpgProcura da família é uma prática comum dos descendentes de madeirenses espalhados pelos quatro cantos do mundo

Existem histórias reais dignas de um filme. Aquela com que o JM se deparou, recentemente, daria para o primeiro capítulo de um guião, de entre os muitos “guiões” que fazem a história do povo madeirense, que se encontra espalhado pelos quatro cantos do mundo.
Do outro lado do oceano Atlântico, mais concretamente, do Uruguai, Ernesto Macedo de Faria, descendente de madeirenses enviou para o JM um e-mail na tentativa de que, de alguma forma, o pudessemos ajudar a reencontrar os familiares.
Foi a remexer nos papéis do avô, que sentiu algo que não consegue explicar mas que o fez dar início à descoberta dos Macedo’s distantes.
Coincidência ou não, parece que o facto de descender de ilhéus o fez tomar gosto pela água. Ernesto de Macedo Faria nascido há 50 anos no Uruguai, formou-se em engenharia, com especialização em gestão de bacias hidrográficas. Actualmente, trabalha na Direcção Nacional de Hidrografia.
Já não é a primeira vez que nos deparamos com contactos destes porque ao nosso e-mail tem-nos chegado alguns pedidos do género.
No primeiro contacto que fez, Ernesto Macedo de Faria começou por explicar que é neto de um senhor, já falecido, chamado Feliciano de Macedo Faria, nascido na Ponta do Sol, a 30 de Novembro de 1903.
Viveu no Lombo das Terças e aos 20 anos emigrou. Depois de uma pequena escala pelo Brasil onde esteve pouco tempo desembarcou no Uruguai.
Viveu sempre em Montevideu, capital do Uruguai, onde se casou com uma uruguaia e teve cinco filhos. Faleceu com 83 anos.
As recordações fizeram o neto pôr-se a caminho: “Perante minha infância escutei do meu avô muitas histórias que falavam muito bem do seu povo e da sua gente, facto este que levou-me a pensar na possibilidade de conhecer mais. Hoje escrevo com esperança de encontrar alguém da minha família e começar uma correspondência”, podia ler-se em espanhol.
Também nos pusemos a caminho, resolvemos investigar e, numa missão, que parecia ser um pouco difícil, surtiu efeito. Com base nos dados fornecidos deslocamo-nos à Ponta do Sol. Na Câmara Municipal foram-nos dadas algumas pistas, inclusive, uma das residentes acompanhou-nos.
Depois de passarmos pela casa de três Macedo’s eis que à quarta chegamos à residência de Maria Conceição Macedo da Silva, sobrinha de Feliciano de Macedo Faria. Foi reconfortante.
Esta pontassolense residente no Sítio do Monte, Terças, ficou surpreendida com a nossa presença. Encontramo-la à porta de casa, juntamente, com a nora e a neta, que foram de uma grande amabilidade.
Com 85 anos, esta idosa reconheceu o nome que lhe apontamos e a conversa desenrolou-se. Sempre viveu no Lombo das Terças. Era filha de António da Silva Lobo e Antónia de Macedo Faria, a qual tinha vários irmãos, António, Vicente, Manuel e Guilhermina.
Começou por explicar que Feliciano de Macedo Faria era seu tio, da parte da mãe, fruto do segundo casamento do pai, que tinha ficado viúvo. Esta pontassolense, ainda, tem a memória bem fresca: “Eu sei algumas coisas porque ouvia as minhas tias falarem. Eu tinha um tio na América, dele cá tenho fotografias e dos meus tios João e Feliciano”.
Apesar dos convites dos filhos nunca quis sair da Madeira. Quem poderá chegar é o familiar distante. Ao longo dos últimos dias fomos mantendo contacto com Ernesto de Macedo Faria que ficou muito satisfeito com o facto de, através do JM, ter conseguido contactar com familiares directos do avô, sobrinhos e filhos de sobrinhos. Agora, é pensar em atravessar o Atlântico e ver de perto o que o avô lhe contava.

«As portas estão abertas para ele»

Ernesto de Macedo Faria nunca teve oportunidade de visitar a Madeira mas após descobrir e contactar com os familiares que estão cá, aguçou-lhe a vontade de atravessar o Atlântico.
A sobrinha de seu avô Feliciano de Macedo Faria disse à nossa reportagem que tem as portas de casa abertas para recebê-lo, se ele vier. A família de Maria da Conceição Macedo da Silva tem tradição em termos de emigração. Esta pontassolense tem familiares no Brasil e na Venezuela.
Não é a primeira vez que algum familiar distante tenta reecontrar a família na Madeira. Recorda-se de um tio emigrado no Brasil que, quando estava perto de morrer, enviou um diário a relatar a sua vida, “a se despedir”, explicou, com a voz emocionada e uma lágrima no canto do olho.
Há dois anos, um sobrinho da mãe de Maria da Conceição, por ocasião do Natal veio à televisão desejar as boas festas. É um actor brasileiro chamado António Fagundes, apontou.
Um filho da avô, que é advogado na Venezuela, por acaso, reencontrou-se com uma familiar quando esta recorreu aos seus serviços. O pai desse rapaz prometeu que no ano seguinte vinha à Madeira mas acabou por morrer.
Élia Freitas
JM
– 25/02/2008

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