Lombada dos Esmeraldos (II)

Capítulo II

Lugar, Freguesia e Vila da Ponta do Sol

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Ao iniciarem-se os trabalhos da colonização desta ilha, foi o lugar da Ponta do Sol um dos primeiros em que a monda dos arvoredos e o arroteamento das lombas e vertentes se não fizeram esperar muito. Entre os antigos povoadores conhecidos, sobressai o nome de Rodrigo Anes o Côxo, geralmente considerado como o «fundador deste lugar. Diz o distinto comentador da História Insulana que descendia da família nobre dos Furtados e que ao chegar à Madeira «procurou aquele lugar despovoado» e o fez cultivar sem demora.

Levantou ali a igreja de Nossa Senhora da Luz, onde jaz sepultado, junto do altar da padroeira, como dispôs em seu testamento, aprovado em Abril de 1468, mandando que na lápide sepulcral se inscrevesse que fora ele o primeiro que dera princípio aquela povoação. Cresceu rapidamente em importância e no número dos seus habitantes, o que determinou a elevação deste lugar à categoria de paróquia, criada no alvorecer segunda metade do século XV. (6) Entre os antigos povoadores destacam-se os nomes de várias pessoas nobres, nacionais e estrangeiras, tendo algumas delas ou os seus mais próximos descendentes estabelecido importantes casas vinculadas, como sejam Rodrigo Alies o Côxo, o fundador» da primitiva povoação, Rui Gonçalves da Câmara e João Esmeraldo, os primeiros possuidores da Lombada, D. João Henriques, que viveu no sítio chamado Pomar de D. João, Pedro Delgado com terras de sesmaria no Lombo das Adegas, Rodrigo Anes Coelho, no Lombo de D. João, António Leme, que deu o nome ao sítio dos Lemes, Diogo Ferreira de Mesquita, com vinculação em terras do Livramento, e muitos outros, uns ainda conhecidos e um número ainda maior de que já se não conserva memória.

A sempre crescente prosperidade industrial e agrícola desta freguesia, especialmente apreciada pela produção do açúcar, trouxe-lhe também uma correlativa importância social e politica, levando o governo da metrópole à criação dum município, o primeiro estabelecido neste arquipélago, além dos das sedes das três capitanias. Lemos algures que a Ponta do Sol «fôra sempre mais fértil em enxada do que em lanças». A Carta Régia de 2 de Dezembro de 1501 elevou o lugar da Ponta do Sol á categoria de vila, desmembrando-o do município do Funchal, com os foros e privilégios inerentes aos concelhos, e estendendo a área da sua jurisdição desde a ribeira que atravessa a paróquia até aos terrenos que hoje constituem a freguesia das Achadas da Cruz. No ano imediato foi, porém, o novo município largamento cerceado na sua superfície e reduzido a bem mesquinhas proporções, com a criação da vila da Calheta, e no ano de 1546 passou pelo vexatório desaire de ser suprimido, por haver a Câmara desacatado as ordens do poder central, dando-se dois anos mais tarde o restabelecimento do concelho. O decreto de 12 de Novembro de 1875 criou a Comarca da Ponta do Sol, com sede na vila do mesmo nome, que, das comarcas de segunda classe, é uma das mais importantes de todo o país.
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(6) Rodrigo Anes fundou uma pequena capela, dedicada a Nossa Senhora da Luz, nos princípios do terceiro quartel do século XV. Passou ela por várias transformações e foi inteiramente reedificada nos primeiros anos do século XVIII. O aumento rápido da população determinou a criação dum curato no ano de 1589 e pouco depois a da Colegiada, servida por cinco eclesiásticos. Houve muitas capelas nesta freguesia, sobressaindo a todas a da Lombada, de que no texto se dará mais ampla noticia. Tem um porto de bastante movimento, especialmente de passageiros, por entestar com a sede da Comarca e servir de trânsito para algumas freguesias circunvizinhas, sendo dotado com um aparatoso cais, mandado construir pela Câmara Municipal no ano de 1848. Esta paróquia foi visitada pelo Infante D. Luís, depois rei de Portugal, no mês de Outubro de 1858. São distintos filhos desta freguesia o padre Leão Henriques (1589), o dr. António da Luz Pita (1802-1870), o dr. João Augusto Teixeira (1845-1907) e o dr. Nuno Silvestre Teixeira (1847-1928), cujos dados biográficos se encontram no 2.º vol. do Elucidário Madeirense, da nossa co-autoria. O Censo da População de 1920 da a esta paróquia o numero de 6.660 habitantes.

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