CANHAS, Freguesia de

Distando 8 km da sede do Concelho, confina a Norte com o planalto do Paul da Serra, a Sul com o Oceano Atlântico, a Leste com a Paróquia da Ponta do Sol e a Oeste com a freguesia da Madalena do Mar.

Esta freguesia é irrigada pelas levadas do Pico e das Cruzes e é servida pelo porto da vila da Ponta do Sol e pelo pequeno porto dos Anjos, situado na costa da freguesia.

Investigadores que ao arquipélago têm dedicado os seus estudos, afirmam que este já era conhecido na primeira metade do século XIV, entre 1317 e 1336, aparecendo as ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens já desenhadas com certa precisão em cartas de 1351.

À segunda metade do século XV correspondeu um período de grande desenvolvimento, dele ficando a fundação de vilas e aldeias, que no século seguinte se apresentavam como centros populacionais de certa importância.

Criada por alvará régio de 30 de Janeiro de 1577, só se constituiu como freguesia alguns anos mais tarde, instalando-se a matriz na capela de S. Tiago, fundada por Rui Pires de Canha, ao que se supõe.

Esta capela terá sido edificada em local escolhido por João Gonçalves Zarco, desconhecendo-se o ano da sua fundação. Apenas se sabe que, pelo mesmo alvará, esta capela foi elevada a sede da paróquia dos Canhas, que aí ficou poucos anos, pois já em 1587 tinha passado para a igreja de Nossa Senhora da Piedade. Da primitiva capela nada resta.

Nos primeiros anos do século XVII, erigiu-se um novo templo para o qual foi transferida a sede da paróquia, e em meados do século XVIII, outra igreja, que é a actual, é construída.

Nesta freguesia existiram as capelas de Nossa Senhora do Socorro, instituída em 1665; a de Nossa Senhora da Anunciação ou da Encarnação, edificada em 1696 e a de Nossa Senhora do Monte e Sant’Ana, edificada em 1733.

Actualmente, existe na freguesia a capela de Nossa Senhora dos Anjos, cuja construção remonta ao terceiro quartel do século XV. Paralelamente, existiram outras duas capelas: a do Sagrado Coração de Jesus, no sítio do Outeiro e a de Santo André Avelino, no sítio do Carvalhal, que foi demolida e no seu local construída a Igreja do Carvalhal.

A origem do nome reside no apelido Canha de uma família que ali se estabeleceu nos primeiros tempos da colonização, dando às suas terras o nome de Canhas.

Nesta freguesia, merece especial atenção o Paul da Serra, única planície existente na ilha da Madeira. É este lugar, frequentemente fustigado por temporais e com níveis de precipitação elevados, que o tornam no mais importante recurso hídrico que alimenta as ribeiras madeirenses e dá origem aos mais ricos caudais de água utilizados na irrigação.
Ao longo de muitos quilómetros, estes caudais são transportados pelas levadas aos pontos mais distantes da ilha. Ao longo do percurso, a levada vai-se dividindo em ‘lanços’, sendo a água distribuída por meio de ‘talhos’ ou ‘sacadas’, designação dada aos cortes laterais do aqueduto.

Nestes campos crescem espontaneamente as urzes, as uveiras, a feiteira e o alecrim, que servem de pasto a numerosos rebanhos de ovelhas e a algumas vacas.

Trata-se de uma freguesia agrícola onde a mulher ajuda o homem nos trabalhos do campo e se dedica ao bordado na maior parte do seu tempo. Talvez por este facto, esta é uma das povoações da ilha da Madeira onde a tradição regista as melhores bordadeiras.

Os seus principais sítios são Lombo da Piedade, Achada e Levada do Poiso, Anjos, Barreiro e Feiteiras, Carvalhal e Carreira, Serrado e Cova, Cruz Fajã e Eiras, Lombo dos Canhas, Outeiro, Poiso Salões e Levada da Madalena, Socorro e Vale e Cova do Pico.

Fonte, Elucidário Madeirense, vol. I (A-E), pp. 225-226. 

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