CÂMARA, Rui Gonçalves da

Parece ter sido o primeiro dos filhos de João Gonçalves Zarco nascido na Madeira e foi o segundo filho varão do ilustre descobridor deste arquipélago. Deve ter nascido nos fins do primeiro ou nos princípios do segundo quartel do século XV. É portanto o mais antigo de todos os madeirenses que deixaram o seu nome aureolado nas crónicas desta ilha. Rui Gonçalves da Câmara acompanhou seu irmão João Gonçalves, o 2.° donatário do Funchal, à África e ali se distinguiu notavelmente como esforçado cavaleiro nas diversas refregas e recontros em que entrou. Acompanhando os infantes D. Henrique e D. Fernando nos cercos de Argila e Tânger, deu igualmente provas da sua valentia, tornando-se muito conhecido pelos muitos actos de bravura e coragem que praticou.

Rui Gonçalves da Câmara teve uma das maiores, senão a maior propriedade desta ilha, a Lombada da Ponta do Sol, que ia do mar à serra e se estendia da Ribeira da Caixa até à da Ponta do Sol. Em 1473 aforou esta propriedade a João Esmeraldo por seiscentos mil réis em dinheiro e o foro perpétuo de cento e cinquenta mil réis anuais.

João Soares de Albergaria, 2.º capitão-donatário da ilha de S. Miguel, acompanhou à Madeira sua mulher, que aqui morreu e, diz o padre António Cordeiro, querendo agradecer a João Gonçalves Zarco e a seu filho Rui Gonçalves da Câmara a «grande hospedagem que lhe fizeram», resolveu vender a sua donatária a Rui Gonçalves, e por preço tão barato, acrescenta Frutuoso, que a cedeu por «oitocentos mil réis em dinheiro e quatro mil arrobas de assucar».

Parece que a venda da Lombada se destinava à compra da capitania de S. Miguel, onde Rui Gonçalves da Câmara fixou residência no ano de 1474. Rui Gonçalves, diz o autor da História Insulana, «era homem alto e grosso de corpo, discreto porém, e mui solicito em fazer povoar e cuidar a terra, ao que pessoalmente sahia visitando-a… e repartiu a maior parte das terras com o pacto ou título de sesmaria». Depois de vinte e dois anos de governo da sua donatária, fez testamento em 1497, nomeando seu sucessor a seu filho natural Joáo Gonçalves da Câmara. Morreu pouco tempo depois e foi sepultado na igreja matriz de Vila Franca.

Rui Gonçalves da Câmara casou na Madeira com D. Maria de Bettencourt, instituidora do morgadio de Agua de Mel (V. Nossa Senhora do Amparo), de quem não teve descendência. Levou para São Miguel três filhos naturais que tivera na Madeira, sendo o mais velho o sucessor da donatária, o tronco das famílias dos condes de Vila Franca e dos condes e marqueses da Ribeira Grande.

Advertisements

Uma resposta to “CÂMARA, Rui Gonçalves da”

  1. Josué de Oliveira Valim Says:

    Boa tarde! Ilmos. Não seriam esses Gonçalves da Câmara, ancestrais de meu hexa e pentavô de igual nome: JOÃO GONÇALVES VALLIM da freguesia n.s. da Piedade, da ilha do Pico, Açores, nascidos a 1710 e 1730? Atenciosamente.
    Abraços. Josué Valim.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: